Grupo 8 – Noturno: Instrumentos para a articulação de trabalhos cênicos

Membros:

∎ Alexandre Ferreira Igrecias
∎ Bartholomeu Eneias Gomes da Silva
∎ Claudio Bernardino Junior
∎ Gabriella Fernandes
∎ Odimaro Barroso de Oliveira
∎ Talita Lima de Araujo

Instrumentos para a articulação de trabalhos cênicos

O presente projeto tem como objetivo estabelecer um arcabouço teórico que possibilite ao professor desenvolver trabalhos teatrais em salas de aulas com crianças e jovens de todas as idades. Entendemos o teatro como uma ferramenta pedagógica privilegiada, na medida em que possibilita ao educando o desenvolvimento de diversas habilidades que estão além do conteúdo formal das disciplinas escolares.

Diversos autores como Chauí, Marleu-Ponty e Vygotsky entendem a educação estética ou artística como um meio para atingir a formação individual mais completa, pois integram razão/emoção e corpo/conhecimento. O teatro, em especial, é apontado por Vygostky como uma atividade que constantemente cria as Zonas de Desenvolvimento Proximal (ZPD), conceito por ele desenvolvido para denominar os espaços em que os alunos podem entrar em contato com novos conceitos e, com isso, internalizá-los para que posteriormente possam significar a realidade em que estão inseridos. O teatro também favorece diversas interações sociais que contribuem para que o indivíduo aprimore sua leitura de mundo.

Nosso trabalho dará especial atenção ao Teatro do Oprimido, desenvolvido pelo teatrólogo Augusto Boal. O autor fornece diversos exercícios para desmacanizar o corpo, como por exemplo, a caminhada, em que o estudante/ator desenvolve diferentes tipos de andar e, na medida em que os faz, repensa suas próprias atuações no mundo. A idéia do Teatro do Oprimido é trabalhar espontaneamente diversas práticas cotidianas. Na medida em que a atuação acontece, os envolvidos percebem criticamente o mundo em que estão inseridos e que dele fazem parte. Essa percepção produz a noção de sujeito histórico e empurra o indivíduo para mudanças sociais concretas.

Nesta perspectiva, nosso projeto será fundamentado nas bases fundadas por Boal. Daremos um exemplo para a prática do Teatro do Oprimido através de uma proposta de aula intitulada os Movimentos jovens durante a Ditadura Militar, onde o professor receberá textos para orientar suas intervenções em sala, além de e um breve material complementar para exibi-lo aos alunos caso ache necessário. Será anexado um modelo de roteiro do Teatro do Oprimido que será flexível o suficiente para que o professor possa alterá-lo de acordo com os direcionamentos que pretende fazer. Nossa idéia é que o roteiro seja explorado na medida em que a aula acontece. Assim, esperamos que os alunos participem ativamente da construção do seu conhecimento enquanto refletem seu papel no mundo e suas práticas sociais.

Encerraremos a atividade com uma proposta de avaliação na qual o jovem deverá produzir uma redação em que se coloque como protagonista de algum evento por ele criado, mas que deve acontecer no contexto histórico da aula exibida.

Com isso, esperamos trabalhar as seguintes qualidades: criatividade, reflexão crítica, apreensão do conhecimento formal, estímulo ao diálogo, convívio social mais harmonioso, gosto pela arte e pela beleza e, finalmente, auxiliar em uma visão de mundo mais holística que inclua o fator humano à fria racionalidade científica que se tenta desenvolver nas escolas desde os primeiros projetos iluministas.

Referências Bibliográficas

OLIVEIRA, Maria Eunice de and STOLTZ, Tania. Teatro na escola: considerações a partir de Vygotsky. Educ. rev. [online]. 2010, n.36, pp. 77-93. ISSN 0104-4060. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-40602010000100007.
SILVEIRA, Eduardo. A arte do encontro: a Educação Eestética Ambiental atuando com o Teatro do Oprimido. Educ. rev. [online]. 2009, vol.25, n.3, pp. 369-394. ISSN 0102-4698. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-46982009000300018.
NOBREGA, Terezinha Petrucia da and TIBURCIO, Larissa Kelly de O. M.. A experiência do corpo na dança butô: indicadores para pensar a educação. Educ. Pesqui. [online]. 2004, vol.30, n.3, pp. 461-468. ISSN 1517-9702. http://dx.doi.org/10.1590/S1517-97022004000300006.
SILVEIRA, Alessandro Frederico da; ATAIDE, Ana Raquel Pereira de and FREIRE, Morgana Lígia de Farias. Atividades lúdicas no ensino de ciências: uma adaptação metodológica através do teatro para comunicar a ciência a todos. Educ. rev. [online]. 2009, n.34, pp. 251-262. ISSN 0104-4060. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-40602009000200016.
LULKIN, S. A. “Atividades dramáticas com estudantes surdos” IN SKLIAR, C Educação & Exclusão: Abordagens Sócio-antropológicas em Educação Especial. Ed. Mediação, Porto Alegre: 1999.
TEIXEIRA, Tânia Márcia Baraúna. Dimensões Sócio Educativas do Teatro do Oprimido de Augusto Boal. Uma proposta de Intervenção. [online] http://www.iacat.com/revista/recrearte/recrearte04/Seccion4/Teatro%20del%20oprimido.pdf.
Boal, Augusto. A estética do oprimido. Rio de Janeiro: Garamond, 2009

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